sábado, 19 de outubro de 2013

sobre morrer sem ser ter tentar sobreviver sem vírgula porque não tem fim e não é só sobre mim




...é de vento a despedida. temporária ou não. e dói. dilacera a alma. eu não quero mais pisar este chão. não. não quero mais o gosto amargo pendurado na língua. resultado das palavras que não proferi. talvez tenha proferido. gritando. silenciando. de peito aberto. mão fechada. pra desferir um soco no rosto de alguém. ninguém. tanto faz. (mentira). mas desfaz. não. não desfaz. corre atrás. não. deixa pra trás. me grita. me chama. me acorda. corre. vem. não. vai. silêncio. não. por favor, não. eu quero ouvir teu riso. sorriso. que descaso. me desfaço. conto tempo. 1, 2, 3. 100. 1000. sumiu? bastou. morreu. fugiu. nem viu. e a ana canta baixinho pra te lembrar. me despedaçar. me arremessar. ao mar. pra embarcar. e nunca mais ancorar. no teu coração. (onde é que tá teu coração?). deixa passar. deixa alojar. a dor. sem cor. que vai acabar. a dor. para sobrepor. descompor. desfigurar. pra tentar. não soltar. recomeçar. mas que droga. isso é sobre acabar.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

das mãos de quem tem meu coração (desistência, resistência ou insistência?)




...é de vento o próprio vento. Atinge o rosto. Corta a pele. Faz revirar de angústia a alma dentro do corpo. Vento frio. Nesses dias frios. Que droga. Nem parece Primavera. Tão assim. Tão sem mim. Tão sem fim. Nos lábios rachados resta pouco do gosto. Do beijo que às vezes sinto medo de nunca mais sentir. E eu quero calor. No vento que me atira ausência. Quero presença. O calor. Do abraço. Do desejo. Das mãos dela. Eu quero o calor das mãos dela. Quando tocam meu corpo. Alcançam minha alma. Preenchem meu vazio. Desfiguram minhas tristezas. Me estremecem cada canto do que é meu. Eu quero o calor das mãos dela. Das mãos dela. Que me deixam sem saber o que dizer. Que me trazem o universo num segundo só. Que suportam meu amor. Que me carregam no colo. E, por deus!, eu estou mesmo escrevendo uma poesia ou qualquer coisa que o valha sobre mãos. Mas não sobre quaisquer mãos. Que isso fique bem claro. E não sobre mãos frias. Que isso fique bem claro também. É sobre as mãos dela. Sobre o calor das mãos dela. É desistência. Resistência. Insistência. Me engano. Me entrego. Qualquer coisa pelas mãos dela. Qualquer coisa pelo nosso amor.

sábado, 14 de setembro de 2013

da solidão (vai e vem)




...é de vento a solidão. Vai e vem. Mar. Tem barulho de mar. Alto. Forte. Assim mesmo. Mesmo dentre os prédios e os carros da cidade. Cinza. É só fechar os olhos. Cantarolar cícero em pensamento. Fechar os olhos. E o oceano vem. Vai e vem, vai e vem. De solidão. Tem sensação dos pés tocando a areia. Sorriso solto. Sem contar tempo. Nulo. Por aí. Vai e vem, vai e vem. E eu nem sei. Se fui. Se fiquei. Talvez tenha ido. Talvez tenha ficado. De alma pendurada nos varais das casas e dos prédios por aí. Vai e vem. Tem cheiro de alegria confundida com agonia. Não sei pra quê tanta alegoria. Pra saltar pra canto algum. Nulo. Por tudo que é canto. Por aí. E vai e vem, vai e vem. Eu vou. Já fui. Pra fugir do gosto seco de não ter quem abraçar por vezes. Das vezes em que o coração cresce mais que o peito. De solidão.Que vai e vem, vai e vem. Vai. Já foi.

por não entender




...é de vento o amor que eu sinto. Pelas flores. Pelas mãos dela. Olhos vãos hão de não entender. Mas nunca pisaram neste jardim. Por nunca saber da primavera. Por nunca sentir a primavera. E hão de jamais entender. O que é vê-la sorrir. O que é ouvi-la falar. Ninguém sabe. Ninguém nunca viu. Somente eu. Então eu sei. Eu vejo. Eu canto, sinto, ouço, faço, amo, vivo. Primavera. E por não entender, olhos vãos hão de dizer que há de ser nada. Nada além distração. Ilusão. Mas, deixa que digam. Eu sei. Do amor que ela traz. Do amor que eu trago. Do amor que nós somos como uma só. É sintonia. Onipresente. Mesmo na distância. Olhos vãos hão de não entender. Porque não sabem de nada. Nunca viveram primavera. Nunca souberam de nós. Nunca nos viram a sós.

post-mortem




...é de vento o riso alterado dos corpos que sobreviveram à tempestade. É difícil encontrar cor ou motivo de felicidade em meio a tantos escombros. É difícil querer estar. Comemorar a estadia depois de tanto choro. Silêncio. Bobagem. Tem esperança. Sim. Dá pra consertar. Tem de haver um jeito. A alegria de ainda respirar. Tem que ter. Tem que ser maior que a agonia. Tanta coisa que partiu. Tanto tivemos de deixar para trás. Mas há vida. Ainda. Se houver amor. Há vida.

do largo sorriso-primavera




...é de vento. Corre leve, solto. Largo. O sorriso. Ocupa a avenida vazia. Na tarde morna de domingo. Corre livre, desenhado no amor. Largo. Canta nos meus lábios o beijo quente dela. Ah... se eu pudesse! Se eu pudesse eu sorriria pra ela agora. O sorriso mais bonito. Tão meu. Por culpa dela. É primavera. E só de amanhecer já dá pra sentir. Largo. Solto e leve. O sorriso que ela traz. Pra me despertar. Pra me levantar. Pra me segurar as mãos. Pra reconhecer que nada é em vão. Pra ser feliz. Pra sonhar. E desejar. Acordar. Só quando o sorriso dela for pra sempre em mim.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

furacão




...é de vento a saudade. As pernas que correm desesperadas na direção de teu portão. Em vão. São feitas de vento também. E eu nem sei onde é que tu mora. É de vento querer tê-la perto e não poder. Agride o rosto. É tempestade. Furacão.